

Uma surpresa para um psicólogo assustado
A psicóloga Luna parou diante da cela, o coração batendo um pouco mais rápido que o habitual.
O guarda, um homem corpulento
cujas feições traziam as marcas de anos de serviço, olhou para ela com uma mistura de curiosidade e
suspeita. “Nova detenta,” murmurou ele, ajustando seu boné. “Nunca a vi antes hoje. Dizem
que é astuta, manipuladora. Tem certeza de que quer entrar, Srta. Jones?” Luna acenou afirmativamente com confiança,
segurando firmemente seu caderno e laptop contra si. “Estou aqui pela entrevista.” O guarda encolheu os ombros,
destravou a porta com um som metálico e deixou-a passar. “Ela está algemada e imobilizada. Inofensiva.
Você não tem nada com que se preocupar.” A porta fechou-se atrás dela com um eco sinistro, e Luna
viu-se sozinha com a misteriosa prisioneira.
“Qual é o seu número do sapato?”
A pergunta, um murmúrio baixo que parecia deslizar do canto escuro da cela, congelou os dedos de Luna
sobre o teclado do laptop. Ela estava digitando anotações sobre a tinta descascada na parede oposta.
Virou-se lentamente, a cadeira plástica barata rangendo sob seu peso. A figura na cama de estrutura metálica
não havia se movido. Continuava sendo um retrato de contenção absoluta: um corpo sem forma envolto em uma camisa de força de lona grossa, um capuz preto completamente ocultando sua cabeça. O silêncio se estendeu, espesso e pesado.
“Eu... sinto muito?”, finalmente conseguiu dizer Luna, sua compostura profissional rachando.
Uma risada seca e áspera veio de debaixo do capuz. “Seus sapatos. Os saltos pretos. Parecem caros. Qual é o tamanho?”
Um calafrio gelado percorreu a espinha de Luna. É por isso que dizem que ela é maluca, pensou ela, balançando levemente a cabeça. Decidiu ignorar aquilo. Aquela era uma entrevista, não uma consulta de moda. “Vamos voltar às minhas perguntas, Naomi.”
Deu as costas à prisioneira, concentrando-se novamente na tela. As palavras do guarda ecoaram em sua mente:
“Ela está algemada e imobilizada. Inofensiva. Você não tem nada com que se preocupar, Srta. Jones.”
O estrondo metálico ao fechar a porta da cela atrás dela parecia ter acontecido há uma eternidade. Tinha estado tão ansiosa para conseguir informações sobre a nova detenta mais notória da instituição, a mulher que os jornais chamavam de manipuladora astuta. Agora, trancada ali com ela, o ambiente estéril tornara-se claustrofóbico.
Um leve farfalhar. Depois um clique metálico suave.
Luna prendeu a respiração. Não queria virar-se. Era apenas o ranger das molas da cama, disse a si mesma. Só a mulher mudando de posição.
Então, uma presença quente diretamente atrás dela. Uma respiração no ouvido.
“Fiz-lhe uma pergunta.”
Luna girou rapidamente, a cadeira guinchando no chão de concreto. Seu coração martelava nas costelas. Naomi pairava sobre ela, livre. A camisa de força pendia aberta na altura da cintura como um avental bizarro. O capuz preto jazia amassado no chão. As restrições nos tornozelos, mal colocadas por um guarda descuidado, já tinham sido removidas e abandonadas.
E o rosto dela...
O mundo de Luna inclinou-se, o ar foi sugado dos seus pulmões. Estava encarando um reflexo. Mesmas maçãs salientes, mesmos lábios carnudos, mesmos olhos azuis penetrantes. O mesmo tom de cabelo negro, embora o de Naomi estivesse emaranhado e selvagem. Eram duplicatas perfeitas.
“Como...?”, ofegou Luna, sua voz um fio tênue.
O sorriso de Naomi era algo terrível, todo ângulos afiados e divertimento frio. “Surpresa, irmã.”
Os olhos dela passearam pelo visual de Luna: saia justa de couro preto, blusa branca transparente que mal cobria seu sutiã de renda preta, jaqueta de couro preta bem ajustada, meias-calças, saltos altíssimos.
“Agora. Os sapatos. Tire-os.”
“Não”, sussurrou Luna, recuando na cadeira, mas Naomi avançou nela num instante. Uma mão tampou sua boca, abafando seu grito. A outra mão permaneceu livre, mas a ameaça nos olhos de Naomi bastava. “O guarda não vai ouvir você”, sibilou ela, a voz reduzida a um cochicho venenoso. “E se ouvir, verá uma detenta agitada e uma jornalista tranquila. Agora vamos brincar de um jogo. Você vai tirar cada pedacinho de roupa. Devagar. Ou farei você lamentar não ter obedecido.” A pressão da mão e o brilho no olhar eram inconfundíveis.
Tremores sacudiram o corpo de Luna. Paralisada pelo medo, sua mente gritava protestos, mas seu corpo, sob ameaça, começou a obedecer. Isso não pode estar acontecendo.
Suas mãos tremiam enquanto alcançava o delicado fivelo do sapato direito.
Naomi observava, seus olhos idênticos reluzindo com deleite predatório. O primeiro sapato caiu no chão com estrondo. Em seguida, o esquerdo. Os pés descalços de Luna sentiram instantaneamente o frio do concreto áspero.
“As meias-calças,” ordenou Naomi, a voz um zumbido grave de antecipação.
Os dedos de Luna engancharam nos topos das meias. Hesitou — um último ato fraco de resistência. Naomi apertou ainda mais a mão sobre sua boca, um aviso silencioso. Luna rolou o tecido fino para baixo, o material sussurrando contra sua pele ao ser retirado das coxas, pelos joelhos, pelas panturrilhas. Deixou-as cair aos tornozelos e pisou fora delas, sentindo-se totalmente exposta.
“A saia. Abra o zíper.”
Cada movimento era uma tortura. Os dedos trêmulos de Luna encontraram o zíper traseiro da saia justa de couro. Puxou-o para baixo, o som obscenamente alto na cela silenciosa. A saia folgou nos quadris. Empurrou-a para baixo, o ar fresco tocando suas pernas nuas, e saiu do montículo de couro no chão.
“A blusa. A jaqueta. Tudo.”
Lágrimas brotaram nos olhos de Luna, borrando a imagem do próprio rosto devolvendo-lhe aquele olhar cruel. Desabotoou a blusa com dedos atrapalhados, cada botão uma pequena rendição. A seda escorregou dos ombros, seguida pela jaqueta de couro. Ficou apenas com o sutiã e calcinha de renda preta, a pele arrepiada com solavancos e terror.
O olhar de Naomi parecia um toque físico, vagando por seu corpo, absorvendo todos os detalhes.
Naomi não disse nada. Simplesmente começou a se vestir, deslizando as meias-calças de Luna com sensualidade lenta, alisando-as pelas pernas idênticas. Vestiu a saia de couro, subiu o zíper com um definitivo zzziiipp. Abotoou a blusa, deixando uma fresta provocativa no topo, e enfim vestiu a jaqueta de couro. Por fim, calçou os saltos altos de Luna. A transformação estava completa. Manteve seu próprio sutiã e calcinha, assim como Luna mantivera os dela.
Pegou a camisa de força jogada no chão. “Sua vez.”
“Por favor, não”, suplicou Luna, a voz rouca.
A resposta de Naomi foi empurrá-la violentamente para trás na cama. Com eficiência brutal, demonstrando prática, agarrou os braços de Luna e os introduziu nas mangas grossas de lona. Luna lutou, mas Naomi era desconcertantemente forte, cruzando as mangas sobre o peito de Luna e apertando as correias firmemente nas costas, imobilizando seus braços. O material áspero irritava sua pele nua.
“Ninguém vai acreditar em você,” murmurou Naomi, os lábios junto ao ouvido de Luna enquanto abaixa o capuz preto sobre sua cabeça. A escuridão engoliu Luna. O mundo encolheu-se até um cheiro: suor rançoso, medo e lona barata. Sentiu as mãos de Naomi em seus tornozelos, prendendo as algemas metálicas geladas no lugar.
Ouviu o clicar de saltos no concreto, aproximando-se da porta da cela.
“Guarda!”, chamou Naomi, usando uma imitação perfeita do tom profissional de Luna, tingido exatamente com o nível certo de medo trêmulo. “Guarda, ajude-me... Ela tentou... Quase pegou minhas roupas! Tentou tomar meu lugar...”
A porta da cela rangeu ao abrir. “Calma agora, Srta. Jones,” disse a voz áspera e familiar do guarda. “Ela está contida. Impossível que tenha feito isso. Eu perceberia.”
Debaixo do capuz, Luna gritou: “É ela! Ela sou eu! Está fingindo ser mim!” Mas suas palavras foram abafadas, distorcidas pelo tecido grosso, emergindo como gemidos desesperados e incoerentes.
Ouvia a risada leve e desprezível de Naomi. “Ela é completamente delirante. Delira.”
“Tem toda razão,” resmungou o guarda. “Venha, Srta. Jones, vamos levá-la daqui. Passou por um grande susto.”
Os saltos cliquetaram novamente. A porta da cela começou a se fechar com uma definitividade ensurdecedora...
Este é um clipe personalizado.
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